O caminho pode não levar você aonde imaginou.
Isso não significa que ele levou você ao lugar errado.

Eu me lembro da primeira vez em que estive na Universidade Federal de Lavras.
Fui acompanhar a formatura de uma pessoa da minha família enquanto observava aquela cerimônia, tive uma certeza:
Um dia, eu também queria estar ali.
Queria entrar em uma universidade, concluir minha graduação e vestir a beca, naquela época, eu ainda não sabia exatamente qual curso faria. Também não conhecia todas as dificuldades que apareceriam pelo caminho.
Eu sabia apenas que queria estudar, tempos depois, voltei à UFLA em uma daquelas visitas que as escolas fazem às universidades.
O sonho continuava ali.
Mas, pelas minhas condições naquele momento, comecei a pensar que talvez ele não acontecesse talvez a graduação não fosse uma possibilidade para mim.
O plano era simples, quando somos mais novos, costumamos imaginar o futuro de uma forma bastante linear primeiro acontece isso depois aquilo.
Então chegamos ao lugar que escolhemos e entendemos que deu tudo certo, na minha cabeça, uma parte desse caminho passava pela Universidade Federal de Lavras.
Só que não foi o que aconteceu eu não fiz minha graduação na UFLA.
Estudei em outra instituição, e por algum tempo, alguém poderia olhar para essa história e concluir que o primeiro plano simplesmente deu errado.
Hoje, não consigo enxergar dessa forma, foi na universidade em que realmente estudei que construí minha base foi lá que conheci amigos, professores e pessoas que mais tarde se tornariam companheiras de trabalho.
Foi onde descobri a tecnologia, mesmo sem saber direito o que era programação quando comecei foi onde passei a estudar cada vez mais, comecei a trabalhar na área e encontrei caminhos que não existiam na minha imaginação durante aquela primeira visita à UFLA.
O destino mudou minha vontade de aprender, não nem sempre a porta abre da maneira esperada. Mais recentemente, a UFLA apareceu outra vez na minha história.
Surgiu uma oportunidade de ingressar na universidade como mestrando parecia que aquele caminho antigo finalmente estava voltando.
Mas, por um conflito de agenda, também não aconteceu mais uma vez, a porta apareceu e eu não consegui atravessá-la da forma como havia imaginado.
É fácil olhar para momentos assim e pensar apenas no que ficou para trás.
A graduação que não foi lá o mestrado que não aconteceu.
A versão da vida que poderia ter existido se algumas escolhas ou condições fossem diferentes só que essa comparação tem um problema.
Ela coloca uma vida imaginada ao lado de uma vida real e a vida imaginada nunca precisa lidar com dificuldades, consequências ou imprevistos ela sempre parece perfeita porque nunca precisou acontecer.
O retorno
Pouco tempo depois, recebi um convite da Emakers Jr e da Comp Júnior para voltar à Universidade Federal de Lavras, dessa vez, para compartilhar um pouco do que venho estudando e aplicando no meu trabalho.
Voltei ao lugar onde, anos antes, tinha imaginado parte do meu futuro, mas não voltei como aluno também não voltei para provar que havia vencido ou que o caminho que segui era melhor.
Voltei para conversar com estudantes que estão construindo as próprias trajetórias. para apresentar algumas ideias para mostrar coisas que talvez eles ainda não conhecessem e, quem sabe, ajudar alguém a enxergar uma possibilidade diferente para o próprio futuro.
Foi quando percebi que aquele lugar continuava fazendo parte da minha história apenas não da maneira como eu havia planejado.
Qual é a métrica de sucesso de uma palestra?
Eu não sei exatamente qual deveria ser a métrica de sucesso de uma palestra.
É o número de pessoas? A quantidade de perguntas? Os aplausos?
Uma conversa depois que todo mundo foi embora?
Não sei.
Mas dessa vez saí orgulhoso não simplesmente por ter dado uma palestra em uma universidade que fez parte dos meus sonhos
Saí orgulhoso por perceber a distância entre aquela primeira visita e o momento atual.
Na primeira vez, eu olhava para aquele lugar pensando no que gostaria de receber dele.
Desta vez, pude voltar levando alguma coisa para compartilhar não existe superioridade nisso ensinar não me coloca acima de quem está aprendendo ma verdade, cada vez que organizo uma ideia para explicar a alguém, percebo o quanto ainda preciso aprender o que existe é continuidade.
O estudo que começou como uma tentativa de mudar minha própria vida passou a me permitir contribuir, mesmo que um pouco, com a vida de outras pessoas.
Um caminho diferente não é um caminho menor, as vezes, ficamos tão presos à forma como um sonho deveria acontecer que não percebemos quando ele começa a ganhar outro significado.
Queremos aquele cargo aquela empresa naquele momento.
Queremos estudar em uma instituição específica, morar em determinada cidade ou construir a vida na sequência que planejamos. Quando algo muda, sentimos que estamos ficando para trás. Mas o caminho não conhece o nosso cronograma.
Ele apresenta pessoas que não estavam nos planos, fecha portas nas quais tínhamos depositado todas as expectativas, abre outras que, no início, parecem pequenas ou distantes demais do destino.
E só depois conseguimos perceber o que cada desvio estava construindom isso não significa que tudo acontece por algum motivo.
Algumas oportunidades simplesmente passam algumas escolhas doem.
Algumas portas fechadas continuam sendo portas que gostaríamos de ter atravessado.
Não precisamos romantizar isso, mas também não precisamos concluir que todo caminho diferente é um caminho errado.
Você ainda está no meio da história, talvez você esteja vivendo agora uma parte da sua trajetória que parece não fazer sentido.
O curso não foi o que imaginava, a vaga não chegou, a empresa não era aquela.
A oportunidade apareceu no momento errado o plano que parecia tão claro começou a mudar, eu não tenho como prometer que tudo vai terminar exatamente como você gostaria.
Provavelmente não vai, o que posso dizer é que você ainda não conhece todos os significados que esse caminho poderá ganhar.
Quando pensei em estudar na UFLA, eu não imaginava que um dia voltaria para compartilhar o que aprendi em outro lugar.
Aquela possibilidade não existia para a versão de mim que assistia à formatura.
Ela apareceu durante a jornada, foi construída pelos estudos, pelo trabalho, pelas pessoas e pelas experiências que vieram depois.
Às vezes, olhamos para um desvio usando apenas a visão de quem acabou de sair da rota, ainda não conseguimos enxergar os lugares aos quais ele pode nos levar.
Continue construindo, não ter estudado naquela universidade não tornou minha formação menor, ela aconteceu em outro lugar e me entregou coisas que eu também não sabia que precisava.
E voltar para uma palestra não substitui nenhuma dessas experiências.
É apenas uma nova dobra na relação que construí com aquele lugar.
Talvez seja isso que eu queira deixar para quem está lendo:
Não abandone seus sonhos com facilidade.
Mas não fique tão preso ao desenho inicial a ponto de ignorar a vida que está sendo construída fora dele.
Continue estudando.
Continue conhecendo pessoas.
Continue fazendo o melhor possível com as oportunidades que possui agora.
Talvez o caminho não leve você aonde imaginou, isso não significa que ele levou você ao lugar errado.
E essa foi mais uma dobra de: reconhecer que um caminho diferente não é um caminho menor.
Nos vemos na próxima quinta, às 10:10
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