Entre Dobras

Estamos resolvendo problemas novos com regras antigas

A engenharia de software precisa evoluir porque o ambiente mudou.

Ítalo Castro2 min de leitura
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Faz sentido revisar código gerado por IA ?

Bom, uma vez peguei me perguntando se fazia sentido ficar revisando linha a linha de código gerada pelos meus agentes.

E antes que alguém responda “claro que sim”, deixa eu explicar de onde essa dúvida veio.

Uma frase que marcou minha carreira foi:
Escreva código para outra pessoa ler, não para o computador.

E foi justamente isso que me fez estudar cada vez mais sobre boas práticas, Clean Code, Solid, padrões de projeto, arquitetura, etc …

Tudo isso nasceu pra resolver um problema muito especifico: Facilitar a vida do próximo desenvolvedor que precisaria entender e manter aquele sistema.

Mas tem um ponto hoje que me gera uma inflexão gigante, a indústria de software está sendo remodelada por agentes de IA, isso sabemos, não vamos ser ingênuos, mas então toda essa discussão de que o código deve ser escrito pra outra pessoa não passa a ter um segundo personagem ?

Será que na hora de escrever código não deveríamos levar em conta também os agentes ?

Hoje uma parte cada vez maior do código é escrita, refatorada e até explicada por agentes de IA

O ambiente mudou, e quando o ambiente muda, a engenharia normalmente deveria mudar junto.

Isso não significa que Clean Code morreu.

Não significa que SOLID deixou de fazer sentido.

Muito menos que devemos abandonar arquitetura.

A questão é outra.

Será que algumas práticas que foram criadas para otimizar a leitura humana continuam sendo as melhores quando um agente também precisa consumir esse código?

Tenho percebido, por exemplo, que algumas arquiteturas extremamente fragmentadas obrigam o agente a abrir dezenas de arquivos para entender um único fluxo. Para um desenvolvedor isso pode ser natural. Para um agente, significa mais contexto, mais custo e, muitas vezes, mais chances de perder partes importantes da lógica.

Talvez estejamos entrando em uma fase em que não basta escrever código limpo para humanos.

Também precisamos pensar em código eficiente para agentes.

Talvez tenhamos ganhado uma nova restrição.

E toda vez que as restrições mudam, a engenharia evolui.

Talvez o próximo grande debate da nossa indústria não seja “qual IA programa melhor”.

Talvez seja:

Como construímos software para um mundo onde humanos e agentes trabalham juntos?

Tenho cada vez mais certeza de que continuarmos aplicando todas as regras de ontem, sem questionar se elas ainda respondem aos problemas de hoje, parece um erro maior do que questioná-las.

Foi justamente tentando responder perguntas como essa que comecei a desenvolver a tese de Harness.

Não como uma ferramenta para substituir engenharia de software, mas como uma forma de adaptar a engenharia a um ambiente que mudou.

Se você não leu a edição anterior, talvez agora ela faça muito mais sentido.

A vida é como um origami

Assim como um origami, não somos definidos por quem somos hoje, mas pelas dobras que escolhemos fazer, dia após dia!

Nos vemos na próxima quinta-feira, às 10:10.

Publicado originalmente no Substack. Assine para receber os próximos ensaios.