Entre Dobras

Não comece a sua carreira em uma big tech!

A menos que você queira crescer mais devagar.

Ítalo Castro5 min de leitura
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Se tem uma coisa que fez diferença na minha carreira, foi ter trabalhado em empresas pequenas.

Não porque empresas pequenas sejam automaticamente melhores.

Elas também têm problemas, decisões ruins e, sim, politicagem.

A diferença é que, em muitos lugares pequenos, o problema não respeita o seu cargo.

Quando comecei minha carreira lá atrás como desenvolvedor eu não era apenas um codificador, a empresa tinha problemas de infra, problemas de negócio, problemas quem não haviam pessoas contratadas para resolver, e nesses momentos podemos fazer duas coisas:

  1. Aprender a conviver com os problemas.

  2. Resolver os problemas.

Se tem uma coisa que talvez seja meu ponto fraco é querer sempre resolver os problemas, sendo meus ou não.

Sabe por que isso as vezes é um ponto fraco? Por que as vezes me intrometo e resolvo coisas que eu não precisaria gastar energia. Mas também há um lado muito positivo desse tipo de atitude que é justamente o fato de resolvermos problemas independente de cargo, cracha ou posição.

E justamente isso tem um acontecimento que me marcou muito na carreira que foi quando eu consegui desenhar uma arquitetura de infra que fez com que a empresa conseguisse abrir um modelo de négocio novo e trabalhar com clientes que antes era impossível.

Eu sempre gostei de estudar, quando eu falo que meu hoby é estudar e aprender as pessoas as vezes me acham estranho, Em muitos dias, prefiro estudar alguma coisa a ir para um rolê. Hahaha.

Mas por que estou falando isso ? Seguinte, quando comecei na faculdade eu mal sabia o que era programação, na verdade eu não sabia que existiam pessoas que faziam os sites, sistemas e aplicativos, eu nunca havia parado pra pensar como isso era feito. Mas logo nos primeiros semestres eu me apaixonei pela tecnologia e pelo fato de que eu conseguiria criar coisas basicamente com minha criatividade e inteligencia.

Então logo que me apaixonei me debrucei nos cursos da Udemy, Alura e claro do nosso gafanhoto master Guanabara, e eu sempre tive muito claro de onde eu queria chegar, sempre mirei algumas grandes corporações como meta de trabalho, mas claro eu precisava começar de algum lugar, foi preciso começar de baixo, comecei por empresas da minha cidade apenas como mais um contratado, na primeira oportunidade, trabalhava com suporte. Enquanto isso, estudava Java, Spring Boot, Git e várias outras coisas que não aplicava no dia a dia, isso me incomodava eu estudava uma coisa e trabalhava com outra.

Mesmo assim, continuei.

E de repente chegou realmente, fui trabalhar com java no inicio da carreira, mas a empresa tinha uma certa estrutura e eu apenas codificava, eu não entendia muito sobre essa empresa, até que tive a oportunidade de voltar pra minha empresa de origem como desenvolvedor e lá foi onde eu realmente entendi o por que mesmo não aplicando tudo que eu estudava eu deveria continuar estudando.

A gente tinha um ERP que era instalado sempre no servidor do cliente, e começamos a fazer um ERP WEB para que os clientes pudessem ter mais autonomia, mas ainda existia o problema de termos que instalar o servidor node no mesmo servidor do ERP…

Até que em um belo dia de descanso lembrando de algumas coisas que havia estudado durante a semana, pensei em uma possível arquitetura que pudéssemos trabalhar 100% em nuvem a ideia possibilitaria atender clientes que não possuíam servidor próprio.

Parece besteira, olhando hoje, eu vejo que tecnicamente não era uma ideia extraordinária.

Mas não é isso que eu tirei de lição de todo este fato! A dobra de hoje não é pra contar da minha carreira, mas sim falar de como algumas empresas menores nos dão a liberdade de trabalhar.

Eu era desenvolvedor, mas conhecia a operação da empresa, sabia como o produto funcionava, entendia a limitação técnica e conseguia perceber o impacto comercial daquela limitação tive liberdade para propor a solução, ajudar a implementá-la e acompanhar o resultado.

A arquitetura abriu uma nova possibilidade de negócio e permitiu que a empresa atendesse clientes que antes estavam fora do alcance.

O que mudou minha carreira não foi apenas ter desenhado aquela solução.

Foi entender que tecnologia ganha valor quando você consegue conectá-la a um problema real.

A arquitetura abriu uma nova possibilidade de negócio e permitiu que a empresa atendesse clientes que antes estavam fora do alcance, e o que mudou minha carreira não foi apenas ter desenhado aquela solução.

Em uma empresa grande, o problema teria outro dono, talvez eu pudesse ter tido a mesma ideia em uma empresa grande, mas provavelmente a limitação de infraestrutura pertenceria a uma área. A decisão de arquitetura estaria em outra. O impacto comercial seria discutido por produto ou vendas.

Como desenvolvedor em início de carreira, talvez eu recebesse apenas a pequena parte que deveria implementar empresas grandes conseguem ensinar escala, processos e profundidade técnica você pode trabalhar com sistemas que atendem milhões de pessoas e aprender com profissionais excelentes.

Isso tem muito valor.

O problema é começar a carreira em um ambiente no qual o seu escopo é tão restrito que você demora anos para entender como seu trabalho se conecta ao cliente e ao negócio em uma empresa pequena, geralmente é mais difícil se esconder atrás da descrição do cargo.

O sistema caiu? Você ajuda a entender.

O cliente está com um problema? Em algum momento, você escuta.

A infraestrutura não suporta uma oportunidade nova? Talvez você precise propor uma solução.

Não é confortável.

É justamente por isso que ensina tanto responsabilidade antes de prestígio

E se eu pudesse dar um conselho para alguém buscando a primeira oportunidade, seria este:

Não procure primeiro a maior empresa da região.

Procure um lugar em que você consiga entrar, entender o que faz aquela empresa crescer e descobrir como pode gerar impacto pode ser usando tecnologia, pode ser propondo um processo melhor pode ser resolvendo um problema que ninguém colocou formalmente na descrição do seu cargo.

A marca da empresa pode abrir portas no currículo a responsabilidade transforma você no profissional que estará preparado quando essas portas abrirem.

Eu também nunca deixaria de estudar algo apenas porque não faz parte do meu trabalho atual.

A dobra de hoje é essa: não procure empresa de nome, procure onde você seja uma pessoa que gere impacto na vida de outras pessoas sejam clientes, sejam colegas de trabalho ou seja até mesmo o dono da empresa onde trabalha!

E essa foi mais uma dobra de: aprender rápido trabalhando onde suas decisões realmente importam.

Nos vemos na próxima quinta, às 10:10.

Publicado originalmente no Substack. Assine para receber os próximos ensaios.