Se você quer ter certeza de como será o seu futuro, terá que abrir mão de todas as possibilidades incríveis que ele poderia ter.
A vida é como um Origami: Não somos definidos pela forma que temos hoje, mas pelas dobras que escolhemos fazer todos os dias.

Ontem ouvi uma frase que ficou na minha cabeça, não lembro exatamente quais foram as palavras, mas a ideia era mais ou menos esta:
Se você quiser ter certeza de como será o seu futuro, precisará abrir mão de todas as possibilidades incríveis que ele poderia ter.
Desde então, tenho pensado no quanto tenho tentado transformar a vida em um plano perfeitamente executável, escolhemos um destino, definimos algumas etapas e começamos a trabalhar para reduzir a distância entre onde estamos e onde queremos chegar.
Isso não é ruim ter objetivos me ajudou durante toda a minha carreira e com certeza é o que me move hoje!
O problema começa quando o plano deixa de orientar nossos passos e passa a limitar os caminhos que podemos enxergar.
Eu sabia onde queria chegar quando comecei a estudar tecnologia, eu tinha objetivos muito claros, queria aprender a programar, crescer profissionalmente e trabalhar em determinadas empresas.
Naquela época, entrar em uma grande corporação representava sucesso para mim era uma imagem fácil de entender uma empresa conhecida. Um bom cargo. Um salário maior. Um nome que as pessoas reconheceriam quando eu contasse onde trabalhava.
Esse objetivo me colocou em movimento também me ajudou a suportar a ansiedade de estar no começo eu não sabia exatamente quando a oportunidade chegaria, mas acreditava que estava me preparando para ela.
E estava, só que a vida começou a me apresentar possibilidades que não existiam no plano original o caminho começou a mudar o destino
Conforme fui trabalhando, percebi que algumas das experiências que mais me transformaram aconteceram em empresas menores.
Lugares onde eu conseguia entender o problema inteiro, propor uma solução e acompanhar o resultado foi assim que comecei a valorizar autonomia, impacto e proximidade com o negócio, coisas que não apareciam com tanta clareza quando eu imaginava meu futuro no início da faculdade.
Depois vieram outras dobras, liderar pessoas, construir produtos, tornar-me sócio da Origami Lab.
Dar palestras, escrever semanalmente, transformar experiências em ideias e compartilhá-las com pessoas que talvez estejam vivendo problemas parecidos.
Boa parte disso não estava no meu plano inicial eu não conseguiria prever as conversas, os convites, os erros e as pessoas que mudariam minha forma de pensar.
E, se tivesse tentado proteger demais aquele primeiro plano, talvez precisasse ter recusado exatamente as oportunidades que construíram a vida que tenho hoje.
O objetivo não fracassou durante muito tempo, fui ensinado a pensar que existem apenas duas possibilidades para uma meta: ou você alcança ou fracassa, hoje não vejo dessa forma alguns objetivos cumprem sua função antes mesmo de serem alcançados eles colocam você em movimento.
Fazem você estudar, conhecer pessoas, desenvolver habilidades e entrar em lugares nos quais nunca teria entrado sem aquela direção inicial.
Durante o caminho, você muda e a pessoa que chega perto do destino já não é a mesma que escolheu aquele destino anos antes talvez ela ainda queira continuar, talvez perceba que existe uma rota melhor.
Talvez descubra que aquilo que buscava estava escondendo uma necessidade diferente.
Um objetivo pode ter dado certo justamente porque transformou você em alguém que já não precisa alcançá-lo, isso não é fracasso é resultado.
O plano foi escrito por uma versão antiga de você existe algo estranho em tratar os planos do passado como contratos que não podem ser renegociados.
A pessoa que definiu aquela meta ainda não conhecia tudo que você viveria ela não havia encontrado as pessoas que você encontrou não tinha cometido os erros que você cometeu.
Não havia descoberto novas habilidades, interesses e possibilidades, mesmo assim, muitas vezes permitimos que aquela versão antiga continue decidindo o nosso futuro.
Seguimos perseguindo um cargo que já não desejamos uma empresa que deixou de representar sucesso uma rotina que parecia boa quando vista de longe, mas não combina com quem nos tornamos.
Não continuamos porque ainda queremos chegar continuamos porque temos medo de admitir que mudamos desistir ou escolher novamente?
Existe uma diferença entre abandonar um objetivo porque ficou difícil e abandoná-lo porque perdeu o sentido nem sempre é fácil distinguir as duas coisas.
O medo consegue produzir argumentos muito convincentes.
Ele diz que a meta já não importa justamente quando o caminho começa a exigir coragem.
Mas o orgulho também consegue nos enganar.
Ele nos mantém presos a uma decisão apenas porque já investimos tempo demais nela.
Por isso, uma pergunta tem me ajudado:
Se eu estivesse começando hoje, ainda escolheria esse mesmo destino?
Não significa ignorar tudo que já foi investido significa avaliar a meta usando a pessoa que você é agora, não apenas a pessoa que você era quando começou.
Outra pergunta importante é:
Estou continuando porque quero chegar ou porque não quero explicar por que mudei de ideia?
Às vezes, o que nos prende não é o sonho é a imagem que construímos sobre nós mesmos enquanto o perseguíamos.
O preço da previsibilidade
Para ter certeza absoluta de como será o futuro, precisaríamos eliminar quase todas as variáveis.
Não poderíamos conhecer alguém capaz de mudar nossa direção.
Não poderíamos aceitar uma oportunidade inesperada.
Não poderíamos descobrir um interesse novo.
Também não poderíamos mudar de opinião.
O futuro seria previsível porque nada realmente novo teria permissão para entrar.
Talvez esse seja o preço da certeza, ao tentar evitar surpresas ruins, também fechamos a porta para as boas, isso não significa viver sem planejamento, aceitar qualquer oportunidade ou mudar de direção toda semana.
Um plano continua sendo útil ele organiza o próximo passo e impede que a gente apenas perambule mas um bom plano precisa deixar espaço para a realidade participar ele precisa ser firme o suficiente para gerar movimento e flexível o suficiente para ser corrigido pelo que aprendemos.
Planeje a próxima dobra talvez a gente não precise saber exatamente como será a forma final do origami.
Precisamos escolher a próxima dobra depois dela, enxergaremos possibilidades que ainda não existem do ponto em que estamos.
Algumas metas serão alcançadas outras serão substituídas.
E algumas terão cumprido seu papel simplesmente por terem nos tirado do lugar.
Hoje, quando olho para os objetivos que tive no começo da carreira, não sinto que falhei por ter mudado parte da direção aqueles objetivos fizeram o trabalho deles.
Colocaram-me em movimento ajudaram a construir repertório, disciplina e coragem.
Depois, a própria jornada começou a mostrar destinos que eu ainda não sabia desejar.
Talvez o futuro não precise ser uma promessa que cumprimos exatamente como foi escrita.
Talvez ele possa ser uma conversa entre aquilo que planejamos e tudo que descobrimos durante o caminho.
E essa foi mais uma dobra de: deixar o futuro aberto o suficiente para nos surpreender.
Nos vemos na próxima quinta, às 10:10.
Quer levar uma dessas conversas para o seu evento ou empresa?
Quer trocar uma ideia sobre engenharia, produto ou IA?
